A Alquimia do Jardim Humano • 07.12.09
Imagine uma flor amarela. Uma flor singela como as que pintam o campo, dourando a natureza. Uma flor. Única. Completa. Plena de Vida. Existindo pela Graça de Ser.
Imagine um prado pleno de flores amarelas, pequeninas, graciosas, com cheiro fresco a campo, espalhadas pelo verde de belas colinas. Ah que imagem maravilhosa. Cada florzinha tão única, completa por si só.
Agora, imagine esse mesmo prado colorido de amarelo, lilás, vermelho, rosa, azul, laranja…flores silvestres delicadas, beijando o verde das colinas roliças, estendendo-se até ao horizonte, a fragrância doce de cada uma inundando a brisa. Ah que riqueza, simplesmente dançando pela vida, só para existir com soberania inocente…cada flor sendo. Única. Completa.
Agora um ser humano. Único no seu Esplendor. Completo. Pleno de Paixão pela Vida. Vivendo cada experiência com Gratidão, com Alegria, com Amor absoluto.
Uma das grandes demandas do Ser Humano é encontrar a sua “cara metade”, a sua “alma gémea”, o seu “complemento perfeito”, procurando fora a completude por pensar que ela não existe dentro.
não vemos a Lua toda, todos os dias, mas ela está sempre lá, brilhando intensa, de noite e de dia, inteira, completa. Da mesma forma, podemos não crer na nossa completude, pensando que ela requer algo de outros seres humanos, sendo que sem exigir a presença de outro que nos complete, nunca o seremos, completos, digo.
E assim, passamos pelos relacionamentos impondo condições ao Amor, para que essa fusão não nos deixe meios cheios, ou meios vazios. Atordoamo-nos com a busca do que o outro pode ser, fazer, dizer, pensar para nos completar. Com a busca de como Ser inteiro. Por isso a dialética dos relacionamentos é sempre manca…há sempre um que precisa do outro que por sua vez precisa do primeiro e nenhum é por si só. É um jogo de escondidas…cada um escondendo-se de si próprio, sugando o néctar do outro sem perceber que o seu próprio néctar é o mais doce, o verdadeiro elixir do Alquimista.
Até que cada um de nós perceba que já é completo e que ninguém completa ninguém o tema dos relacionamentos será sempre revestido de drama, ilusão, pois é uma busca vã de algo impossível de encontrar. E é impossível de encontrar a completude no outro porque cada um já é completo!!!…Mas não o vê, como a Lua.
O verdadeiro relacionamento com o outro apenas poderá nascer quando ambos respeitam a soberania da sua própria completude, complementando-se, apenas…dançando com um par uma dança diferente da que dança um bailarino só, mas não solitário. Bailarinos solitários, imersos nas brumas da solidão, perdem o brilho das notas soltas que encantam os movimentos. Mas um bailarino só, em harmonia com a paz da solitude que brota do silêncio interior, dança uma dança leve e livre, fresca com novas possibilidades a cada gesto. É esse bailarino só que se encanta com o desafio de uma nova dança, a dois, que abre os braços e irradia todo o esplendor de quem é, dançando com o esplendor do outro, em respeito, com honra e reverência por si…pelo outro.
E assim é uma bela flor amarela, complementada por milhares de outras flores coloridas, pintando o mundo como o arco-íris, criando a magia de Ser Humano.
Antes de exigir deixe-se brotar e perfume o mundo de dentro para fora.
Com Amor
Tânia Castilho
